Como criminosos usam Uber e Airbnb para lavar dinheiro de cartões roubados


Um golpe que acontece há cerca de dois anos foi identificado pela empresa de segurança cibernética Spider Labs. Criminosos têm usado cartões de crédito roubados para lavar dinheiro por meio de aplicativos como Uber e Airbnb, de acordo com Ziv Mador, responsável pela pesquisa que descobriu a fraude.

Os criminosos lavam dinheiro por meio de sistemas automatizados dos apps. Vale dizer que a pesqiusa se refere a casos registrados nos EUA, e o Brasil não é citado.

Uber

O esquema acontece quando criminosos recrutam os motoristas da Uber para levar passagieros falsos em uma corrida. O usuário nunca aparece, mas o criminoso usa dinheiro de um cartão de crédito roubado para fazer o pagamento. Então, o motorista transfere uma parte do pagamento da viagem de volta ao criminoso.

Os anúncios por pessoas para ajudar nesse tipo de lavagem de dinheiro podem ser encontrados na dark web, uma parte da internet criptografada acessível apenas por meio de aplicativos especiais, explica Mador.

A Uber soube pela primeira vez sobre essa fraude atravaés do mercado chinês, onde a prática era bastante comum, e tomou medidas para combater esse tipo de fraude, segeundo um porta-voz da empresa informou ao site CNBC.

A empresa de carona amplicou suas técnicas de detecção de fraude em 2016, na mesma época que encerrou suas atividades na China. Depois disso, o crime aparesentou “baixas históricas”, mas continua sendo um problema, segundo o porta-voz.

O golpe acontece com criminosos no exterior também – normalmente na China ou na índia – em conjunto com um motorista dos EUA.

“Uma das razões para atrair o motorista real é ‘eu estou sendo pago por trabalhar normalmente – isso não é suspeito’. O que eles não percebem é que não é apenas fraudar a Uber ou a nossa plataformar, mas também é uma fraude eletrônica, que inclui outras responsabilidades legais para o motorista – e se for pego será punido na justiça”, disse o porta-voz da empresa.

Airbnb

Crimonoso usam um esquema similar com anfitriões (hosts) do Airbnb, explicou Mador. Os hosts respondem anúncios, geralmente também publicados na dark web. Mas em vez de hospedar um convidado real, eles aceitam pagamento (de cartão de crédito roubado) de um convidado falso que nunca tem qualquer intenção de aparecer. Depois que o dinheiro é processado pelo sistema da Airbnb, o host reembolsa uma parte da fatura para o cibercriminoso.

Em um anúncio divulgado pela Spider Labs, publicado na dark web em maio de 2018 em russo, um cribercriminoso diz que está procurando “hosts da Airbnb” para uma operação de lavagem de dinheiro.

“Levamos a sério a responsabilidade como participante do ecossistema financeiro e desenvolvemos processos sofisticados para detectar e prevenir todas as formas de uso indevido e atividades ilegais. Além de nossos própriois controles, a Airbnb também trabalha com outros participantes do sistema financeiro, incluindo insitituições, agências reguladoras e órgãos de aplicação da lei, para identificar novas tendências de uso indevido e atividades ilegais”, afirmou a Airbnb em um comunicado.

Mador enfatiza que os cibercriminosos estão confiando na falta de conhecimento, na curiosidades das pessoas e na tecnologia para realizar seus crimes e que o golpe não é exclusividades das empresas citadas, mas são duas das que apresentam altos índices de fraudes desse tipo – até porque são muito utilizadas no mundo todo.

“Os criminosos têm sucesso porque usam e abusam do fator humano para recrutar pessoas que não estão profundamente envolvidas nas operações da dark web, tranformando-as no rosto público em suas atividades ilegais”.

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Fonte: InfoMoney