Combate à lavagem de dinheiro também é desafio para profissionais do mercado de luxo

As operações e situações suspeitas de qualquer valor também devem ser comunicadas ao Coaf, que por sua vez registrará de acordo com as características de risco de cada segmento


A operação Calicute, da Polícia Federal, descobriu recentemente cerca de R$ 220 milhões desviados dos cofres públicos por meio de joalherias e outros artigos de luxo. A operação serviu, entre outras coisas, como alerta para empresas e pessoas físicas sobre uma das formas mais comuns de praticar a ilegal lavagem de capitais.

Vale ressaltar que lavar dinheiro muitas vezes não engloba o mercado financeiro em um primeiro momento.

A AML Consulting, atuante no mercado de soluções e serviços de prevenção à lavagem de dinheiro, alerta que medidas de prevenção e combate a esse crime devem ser adotadas não só por empresas, mas também por pessoas físicas que atuam nesse mercado.

“O crime de lavagem de dinheiro regulariza dinheiro ilegal e oculta bens e valores. Essa ocultação, muitas vezes, abrange diferentes setores e mercados e, ao contrário do que se pensa, não precisa envolver o mercado financeiro diretamente”, analisa Alexandre Botelho, diretor da AML Consulting. “É papel dos profissionais desses setores estarem atentos e denunciarem operações irregulares ou mesmo suspeitas”, defende.

 

Estabelecimentos que comercializam bens de luxo ou de alto valor, por exemplo, acabam tornando-se alvo de esquemas de lavagem de dinheiro. O motivo é que é muito mais seguro para quem pratica esse tipo de crime ocultar bens nessa área do que tentar “lavar” o dinheiro sujo no sistema financeiro, que está preparado para identificar, questionar e reportar operações e situações suspeitas.

Na prática, além do uso de dinheiro em espécie é comum que os bens de luxo sejam comprados em nome  “laranjas”, com o objetivo de não chamar a atenção de autoridades e da sociedade. 

Alexandre Botelho destaca abaixo algumas medidas que devem ser adotadas por empresas do mercado de luxo:

Segundo alexandre, pessoas e empresas que atuam no mercado de joias, automóveis de luxo, embarcações, aeronaves e envolvidas em compra e venda de imóveis de altíssimo padrão devem estar atentas às resoluções 23/2012, 25/2013 e 26/2013, editadas pelo Coaf. Tais resoluções reúnem procedimentos a serem adotados para prevenção e combate à lavagem de dinheiro.

“Uma medida fundamental é ter um cadastro de clientes, e não apenas emitir uma simples nota fiscal ou contrato. O cadastro permite o monitoramento das operações de clientes, ou seja, volume e frequência das operações e compatibilidade com a atividade, renda ou faturamento, e a comunicação compulsória ao Coaf de operações acima de valor predeterminados, independentemente de haver qualquer suspeita, seja mediante pagamento em dinheiro ou por qualquer outro meio.”, orienta Botelho.

As operações e situações suspeitas de qualquer valor também devem ser comunicadas ao Coaf, que por sua vez registrará de acordo com as características de risco de cada segmento.

“O grande problema da lavagem de dinheiro no setor de luxo é que o crime organizado investe pesadamente nesses segmentos, montando as suas “próprias lavanderias” para regularizar dinheiro sujo pessoal e até mesmo os recursos de outras organizações criminosas”, alerta Botelho. Para o diretor da AML, o sucesso dessas operações ilícitas é assegurado muitas vezes pela ausência de fiscalizações mais recorrentes e efetivas. O monitoramento das operações nesse mercado, por parte das empresas e das pessoas que atuam no setor, pode fazer toda a diferença”, sentencia Botelho.