Coaf quer qualidade maior nas informações

Para obter sucesso no processo de prevenção aos crimes de lavagem de dinheiro ou atividades financeiras ilícitas é preciso mudar comportamentos


Para obter sucesso no processo de prevenção aos crimes de lavagem de dinheiro ou atividades financeiras ilícitas é preciso mudar comportamentos, disse o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues. Se antes a dificuldade era fazer com que as instituições enviassem suas comunicações ao conselho, o desafio atual é sofisticar a qualidade das informações que chegam ao órgão, afirmou ele, durante palestra em evento organizado pela Acrefi ontem.

"Estamos iniciando uma nova fase, mais focada na qualidade das comunicações enviadas ao Coaf. Saímos da fase inicial que exigia uma série de mudanças de comportamentos que tradicionalmente eram usados", afirmou. "Vamos passando por várias fases. Agora estamos na fase de sofisticar as relações", disse.

"O desafio é mudar. São muitas instituições e setores, fazer as pessoas absorverem é um processo longo", disse Rodrigues. Além disso, ele destacou que o próprio Coaf tem aperfeiçoado seus mecanismos e ferramentas com o tempo, e precisará também aperfeiçoar seu tamanho estrutural, ainda pequeno.

O chefe do Departamento de Normas do Banco Central, Sergio Odilon dos Anjos, ressaltou que o sistema de supervisão e regulação adotado pelo Banco Central é "referência mundial". Durante palestra em evento sobre compliance organizado pela Acrefi, Odilon afirmou que o modelo de supervisão, considerado de sucesso, demonstra a "resiliência e capacidade de absorção de choques do nosso sistema financeiro".

Ele destacou também a importância da regulação "intralegal" do sistema financeiro nacional. "A agilidade que o regulador tem é muito diferente da exigida para fazer uma lei", afirmou, destacando que outros países do mundo não possuem essa regulação "intralegal". "Nós pudemos fazer nossa ação imediata pós-crise por meio de resoluções e circulares em sua maioria", classificando como um "modelo de sucesso".

Odilon afirmou ainda que a regulação de conduta ganha cada vez mais importância atualmente e que o Banco Central estimula que as associações e instituições "desenvolvam sistemas de autorregulamentação".

"O departamento de normas foi criado em 1985 no Banco Central", afirmou. De acordo com ele, entre 1985 e início dos anos 90, com a situação de hiperinflação, a atuação do departamento do Banco Central era simplesmente de "reação" ao que acontecia, comportamento que mudou ao longo do tempo.