Circus Maximus: MPF investiga lavagem de dinheiro em venda de cavalos

Suspeito de liderar organização criminosa no BRB, Ricardo Leal e ex-diretor tinham “extensa documentação” sobre negócios do setor


O Ministério Público Federal (MPF) acredita que a compra e venda de cavalos seja a forma de lavagem de dinheiro do grupo investigado no âmbito da Operação Circus Maximus. O suposto esquema instalado no Banco de Brasília (BRB) teria causado prejuízo de R$ 348 milhões e movimentado R$ 40 milhões em propinas.

A suspeita é levantada em manifestação, de 13 de maio de 2019, contra a restituição dos bens apreendidos de Andrea Moreira Lopes, ex-diretora de Recursos de Terceiros do BRB/DTVM. Segundo o MPF, o ex-conselheiro do banco Ricardo Leal e o ex-diretor de Operações e Negócios do BRB Seguros Adonis Assumpção possuíam “extensa documentação” sobre o negócio “ainda sob análise”.

“Com relação à documentação, é importante ressaltar que a compra e venda de cavalos aparenta ser a forma de lavagem de dinheiro do grupo investigado”, diz o Ministério Público Federal na ação.

No pedido de revisão da decisão que mandava devolver os bens de Andrea, ao qual o Metrópolis teve acesso, os procuradores argumentaram à Justiça Federal que a documentação não se referia apenas à garantia patrimonial de reparação de danos, mas tinha potencial elemento de prova. A solicitação do MPF foi deferida pela 10ª Vara Federal.

De acordo com delação de Ricardo Siqueira Rodrigues ao Ministério Público, Andreia agia mediante instrução de Ricardo Leal – considerado líder da suposta organização criminosa. Irmã da esposa de um sobrinho dele, a ex-diretora não foi denunciada, mas continua em condição de investigada.

Segundo as investigações, Adonis seria laranja de Ricardo Leal. A denúncia do MPF oferecida à Justiça Federal revelou que o ex-diretor escondia R$ 200 mil em dinheiro em sua residência. O montante foi encontrado na data de sua prisão, em 29 de janeiro, no dia em que foi deflagrada a Circus Maximus. Ele foi solto, mas Leal continua preso.

Quem fez a relação entre o dinheiro e os negócios envolvendo os animais foi o próprio Adonis. Ele alegou, inicialmente, que os valores seriam de uma negociação recente de cavalos. O ex-diretor disse que o montante estaria em seu cofre porque a venda havia acontecido há pouco tempo. Na apreensão, no entanto, a quantia estava envolta em fitas do BRB destinadas ao uso interno da instituição.

O outro lado

Por meio de nota, o advogado de Adonis, Iuri Cavalcante Reis, afirmou que “não há nenhuma prova documental, testemunhal ou pericial que possa confirmar as alegações do MPF”. O defensor argumentou, ainda, que todos os documentos e valores encontrados durante a busca e apreensão na residência do cliente são referentes “a negócios lícitos, sendo que o próprio Banco Credit Suisse atestou nos autos que não há nenhum investimento, ativo ou aplicação financeira de sua titularidade, indo de encontro com a própria colaboração premiada que fundamenta a inicial acusatória”.

A reportagem não conseguiu contato com Andrea e não recebeu retorno do advogado de Ricardo Leal. O espaço continua aberto para eventuais manifestações.