Chefão do PCC se passava por comerciante de luxo e tinha rede de falsários para lavagem de dinheiro

Gerson Palermo foi condenado a 59 anos de prisão por coordenar tráfico internacional


Condenado a 59 anos de prisão, Gerson Palermo, chefe de célula do PCC (Primeiro Comando da Capital) que operava tráfico internacional de cocaína a partir de Mato Grosso do Sul, se apresentava como comerciante informal de luxo de aeronaves e caminhões. Além disso, contava com rede de falsários para executar desvio de bens e lavagem de dinheiro.

Conforme sentença da 3ª Vara Federal em Campo Grande, Gerson foi investigado no âmbito da operação All In, deflagrada em março de 2017 pela Polícia Federal e que resultou na apreensão de duas remessas de mais de 800 quilos de cocaína em Cubatão (SP) e São Paulo (SP).

Durante as investigações, foi descoberto que o PCC teve à disposição pelo menos três aeronaves e cerca de 15 caminhões e carretas, além de vários veículos de passeio, todos oriundos de rendimentos do tráfico de drogas e registrados em nome de laranjas. O grupo ocultava e dissimulava a posse dos bens.

Gerson, por sua vez, se passava por comerciante informal de caminhões e aeronaves, desfrutando de alto padrão de vida sem que tivesse, de fato, qualquer bem em seu nome. Ele determinava a troca frequente da propriedade formal dos caminhões e aeronaves, tanto que o grupo tinha alguns de seus integrantes exclusivamente dedicados à compra, venda e transferência de bens.

Eles contavam também com despachantes, incluindo despachantes aeronáuticos, e tinham acesso a uma rede de falsários dedicada a obter documentos ou até empreender falsificações, justamente para dinamizar os atos de lavagem de ativos. Para legitimar movimentação de lucros do tráfico, usavam contas correntes de seus próprios integrantes, familiares, amigos, conhecidos e mesmo empresários próximos, fragmentando as transferências e depósitos múltiplos, a fim de evitar os mecanismos de detecção de movimentações bancárias suspeitas.

Visando blindar as comunicações vinculadas ao tráfico, o PCC contava também com terminais telefônicos registrados em nome de terceiros sem qualquer relação com os fatos, com a troca constantes destes mesmos números, com a preferência por realizar contatos por aplicativos ou chamadas audiovisuais e a utilização de códigos e apelidos.

Condenação
Descrito como líder do grupo, o acusado Gerson Palermo restou condenado à pena de 59 anos, nove meses e um dia de reclusão, e ao pagamento de 5.580 dias-multa. Dos bens utilizados adquiridos com proventos do tráfico de drogas ou utilizados como instrumento para tal prática criminosa, foi decretado o perdimento de três aeronaves, 22 veículos – dentre os quais 14 caminhões e carretas, e quatro imóveis, incluindo um aeródromo dedicado ao tráfico internacional de entorpecentes.