Barroso: “Modo de fazer política não mudou apesar do combate à corrupção”


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que o combate à corrupção no Brasil enfrenta a reação dos que não querem ser punidos e também daqueles que não querem mudanças para poder cometer novos malfeitos.

O ministro fez uma palestra na abertura do 7º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro e avaliou que o Brasil vive uma cultura da desonestidade, em que parte dos políticos, empresários e burocratas firmou um “pacto oligárquico de saque ao Estado”.

Sonora: “Porque as transformações pelas quais o Brasil está passando estão atingindo pessoas que sempre se julgaram imunes e impunes. E, por essa razão, porque acharam que o direito penal jamais iria chegar a elas, cometeram uma quantidade inimaginável de delitos.”

O magistrado afirmou que a cultura da desonestidade criou “um modo estarrecedor” de fazer política e negócios no país e ainda não mudou, apesar do combate à corrupção. Barroso defendeu que a corrupção não está situada cronologicamente em um governo, mas vem de longe e acumulativamente.

Sonora: “Hoje, no Braisl, nesta reação, há dois lotes. O lote que não ser querem ser punidos pleos mal feitos que fizeram, que eu consigo entender, que é natural, é da natureza humana. E há um lote pior, é o dos não querem ficar honestos nem daqui pra frente. É gente que não sabe viver sem dinheiros dos outros, sem que seja com dinheiro desviado. E onde há um negócio púbico, há alguém tentando desviar o dinheiro que vai alimentar esse modo de fazer política.”

Mas o ministro acredita que a sociedade brasileira deixou de aceitar o inaceitável e parou de varrer o problema para baixo do tapete. Na opinião de Barroso, a população brasileira já está conseguindo separar o joio do trigo, mas ainda há uma grande quantidade de pessoas que prefere o joio.