Banco Neon tinha patrimônio líquido negativo, diz BC

Após empresa-irmã ter anunciado um dos maiores aportes série A já recebidos por fintechs, banco teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC


Do dia para a noite, a situação do Neon virou de cabeça para baixo. Uma de suas empresas, a fintech Neon Pagamentos S.A., anunciou um dos maiores aportes série A já recebidos na história das fintechs, de 72 milhões de reais. Enquanto isso, a empresa Banco Neon S.A. teve agora sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.

De acordo com comunicado da autarquia financeira, publicado no antigo site do banco, a liquidação foi decretada “considerando as graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição financeira, bem como o comprometimento da situação econômico-financeira”.

A assessoria do Banco Central detalhou a EXAME que alguns dos problemas enxergados no Banco Neon foram um “patrimônio líquido negativo” e “a deficiência de controle e monitoramento para prevenir a lavagem de dinheiro”.

A liquidação extrajudicial é uma intervenção econômica estatal em uma empresa supervisionada (no caso, pelo BC). O objetivo é restabelecer as finanças e satisfazer os credores do negócio. Segundo o Banco Central, não cabem recursos quanto à determinação e o Banco Neon já está sob intervenção. Ficam indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores, que deverão identificar titulares e valores a serem restituídos aos credores.

Alguns serviços aos clientes estão fora de funcionamento, como pagamento de boletos, envio e recebimento de transferências, utilização do cartão de crédito, resgate de Certificados de Depósitos Bancário (CDB) e recarga de celular.

Para os usuários, resta usar o cartão de débito ou sacar o dinheiro por meio de agências físicas, a um limite diário de 2 mil reais. De acordo com o Banco Central, o valor guardado nas contas digitais deverá ser devolvido entre sete a dez dias úteis, respeitando o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).