Banco das Honduras acusado de branquear dinheiro nos EUA deixa de operar

A Comissão Nacional de Bancos e Seguros (CNBS) das Honduras informou, no domingo, que o Banco Continental - acusado pelos EUA de contribuir para o branqueamento de capitais e apoiar o narcotráfico - vai deixar de operar a partir de hoje.


O banco foi notificado que "não será aceito na câmara de compensação, o que implica a impossibilidade de continuar a operar no sistema de pagamentos nacional e internacional" a partir de segunda-feira, de acordo com um comunicado do organismo.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou, na quarta-feira, o político e banqueiro hondurenho Jaime Rosenthal, o seu filho, o ex-ministro Yani Rosenthal, e o seu sobrinho e também ex-ministro Yankel Antonio Rosenthal, bem como sete empresas, incluindo o Banco Continental, com sede em San Pedro Sula (norte), por contribuir para a lavagem de dinheiro e apoiar o narcotráfico.

Os ativos da instituição financeira foram "congelados" e a CNBS ordenou, este sábado, a "liquidação forçada" do banco.

A CNBS realçou que o sistema financeiro "está sólido" e reiterou o seu "compromisso em garantir a estabilidade" do mesmo e "o devido funcionamento dos sistemas de pagamentos".

Além disso, solicitou aos clientes dos serviços financeiros do Banco Continental para "manterem a confiança em que os seus interesses estão a ser salvaguardados mediante um processo ordenado de liquidação forçada a cargo do órgão supervisor".

A CNBS ressalvou ainda que a sanção imposta ao banco hondurenho constitui um "caso isolado e não sistémico", pelo que "o público em geral pode ter plena confiança no sistema financeiro nacional".

A família Rosenthal tem rejeitado as acusações contra si, assinalando que irá demonstrar no respetivo julgamento que "são falsas" e que, portanto, os seus membros são "inocentes".

Em comunicado, Rosenthal solicitou à CNBS que reconsidere a sua proposta de uma "liquidação voluntária" para garantir que todos os seus investidores e clientes do banco "conservem integralmente o seu património".

Rosenthal destacou que as medidas anunciadas pelo Governo hondurenho "limitam a margem de ação" e que os membros da administração do banco estão a "analisar as alternativas e possibilidades para preservar as fontes de emprego dos mais de 11 mil colaboradores diretos e o bem-estar das suas famílias".

Além disso, enfatizou que o Grupo Continental cumprirá "cabalmente todas as disposições e regulamentos legais que emanam das autoridades", manifestando "total confiança e disponibilidade" para cooperar.

O grupo também entende e assume "a profunda responsabilidade de ser garante da estabilidade económica, ao contribuir com 5% para o Produto Interno Bruto do país, pelo que faz um "sentido apelo à sociedade" para que o processo seja conduzido com "calma e responsabilidade".