Após três anos, Lava Jato venceu ceticismo sobre investigações


A Lava Jato venceu o ceticismo em relação a ela mesma. Ninguém imaginava há três anos que a operação chegaria ao ponto em que chegou nesta semana: com 83 pedidos de investigação, relacionando um total de mais de 100 políticos de variados partidos.

Pessoas-chave em duas administrações –  do governo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governo do presidente Michel Temer – foram registradas nas listas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Em Curitiba, permanece preso há mais de um ano e meio Marcelo Odebrecht, herdeiro da maior empreiteira do país.

Qualquer que seja a contabilidade feita, a Lava Jato surpreende. Seja o dinheiro apreendido e devolvido, o número de pessoas presas, o uso do instituto da delação premiada, até a quantidade de condenações.

Se no mensalão houve somente uma colaboração, pois quase ninguém confessava os crimes, agora se tem de sobra. Segundo um importante investigador da Lava Jato, todo o lapso probatório que a defesa dos acusados avaliava existir à época hoje não existe mais.

Só da Odebrecht, nasceram 78 delatores. São mais de 100 pedidos de colaboração internacional. O número de investigados na PGR, antes da delação da empreiteira, era de 413 pessoas físicas e jurídicas. Agora,  provavelmente vai beirar os 600.

Em meio a esse contexto, é no aniversário de três anos que a operação enfrentará o seu maior desafio: conter a resistência ainda maior de parte da classe política que deverá buscar, na anistia do caixa 2, a impunidade para os crimes cometidos.

Portanto, as dúvidas permanecem: a Lava Jato continuará a ter sucesso? Até aonde irá chegar?

Algumas coisas são previsíveis. Se durante a maior parte do tempo o centro foi em Curitiba, nos próximos meses o protagonismo deverá ser maior em Brasília, com as investigações da megadelação da Odebrecht.

A Operação continuará a crescer, se espalhando por outros estados e outras instâncias da Justiça, com os 211 pedidos sobre a colaboração relacionados àqueles que não tem foro no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Calicute, no Rio, por exemplo, que levou o ex-governador Sérgio Cabral à prisão, era apenas um desdobramento, mas virou uma operação em si. Outras podem seguir o mesmo caminho.

Uma consequência possível é provocar a revisão do sistema do foro privilegiado porque o número de processos no STF ficou grande demais.

Independentemente do que acontecerá no futuro, uma coisa é inegável: até aqui, a Lava Jato fez nesses três anos contra a corrupção o que jamais foi realizado antes no Brasil.