Alvo da 56ª fase da Lava Jato, ex-executivo da OAS se apresenta à PF, em Curitiba

Havia um mandado de prisão temporária em aberto contra César Mata Pires Filho.


O empreiteiro da OAS César Mata Pires Filho se apresentou na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, no início da madrugada desta segunda-feira (26), de acordo com a corporação. Ele é um dos alvos da 56ª fase Operação Lava Jato.

(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o G1 errou ao informar que César Mata Pires Filho é um dos donos da OAS. Conforme a assessoria da empreiteira, ele foi executivo entre 2007 e 2015. Ele também é ex-vice-presidente da OAS. A informação foi corrigida às 17h27, de segunda-feira, 26.)

O mandado que havia contra César Mata Pires Filho, ex-vice-presidente da OAS, era de prisão temporária, com validade de cinco dias.

Conforme a PF, o empreiteiro estava nos Estados Unidos no dia em que esta nova etapa da Lava Jato foi deflagrada, na sexta-feira (23). A atual fase da operação apura o superfaturamento na construção da sede da Petrobras em Salvador (BA).

A defesa dele afirmou que, como havia se comprometido, ele retornou do extenor e se apresentou espontaneamente à PF para prestar esclarecimentos.

Vinte pessoas foram presas. Ao todo, foram expedidos 33 mandados de prisão para 22 alvos. O número de mandados é maior do que o número de pessoas porque alguns dos investigados têm mais do que um endereço.

Os outros dois alvos de prisão estão no exterior, em Israel e em Portugal. Portanto, segundo a PF, os mandados contra eles continuam em aberto.

Também foram cumpridos 68 mandados de busca e apreensão na 56ª fase da Lava Jato. Entre os mandados de prisão, são 14 temporárias e oito preventivas.

Superfaturamento
Com o superfaturamento na construção da sede da Petrobras na capital baiana, os projetos e a obra do prédio passaram de R$ 320 milhões para R$ 1,3 bilhão, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o MPF, o superfaturamento foi acertado entre a Petrobras e o Fundo Petrobras de Seguridade Social (Petros) para bancar o esquema de propina.A Petros se comprometeu a realizar a obra e a Petrobras, a alugar o imóvel por 30 anos.

O contrato de aluguel do imóvel começou em novembro de 2010 no valor de de R$ 3 milhões mensais. Desde então, o valor já foi corrigido e é atualmente de cerca de R$ 6,5 milhões mensais. “Isso gerou um compromisso financeiro de R$ 1,3 bilhão para a empresa”, disse a procuradora Isabel Vieira Groba.

Conforme Isabel Vieira Groba, os repasses indevidos do esquema estavam embutidos no valor do aluguel, calculado com base no custo total do empreendimento, e no valor superfaturado da obra.

O nome da sede da Petrobras, em Salvador, é Torre Pituba. O prédio foi construído pela OAS e pela Odebrecht – ambas já investigadas anteriormente pela Lava Jato.

Vantagens indevidas
As duas empreiteiras distribuíram vantagens indevidas de, pelo menos, R$ 68.295.866 que representam quase 10% do valor do total da obra, segundo o MPF.

Os valores eram direcionados, segundo o PF, para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras, do PT e dirigentes da Petros.

Segundo a Polícia Federal, parte da propina ao PT teria sido paga em espécie por meio de Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto. Ela foi presa temporariamente na sexta-feira.