A grande lavanderia de dinheiro chamada Alemanha

Todos operam livremente com o conhecimento das autoridades


Bruxelas – Quase paralelamente com o fogo lançado da margem oposta do Atlântico contra o papel do sistema financeiro da Alemanha, outro “fogo amigo” foi lançado de dentro da Europa contra a Alemanha, por intermédio da União Européia (UE). A Comissão Européia, órgão executivo da UE, pediu à Alemanha para conformar-se, plenamente, com as leis da UE relativas à lavagem de dinheiro, assim como “com o enfrentamento deste fenômeno”.

E se a Alemanha não corresponder satisfatoriamente dentro dos próximos dois meses, “a Comissão Européia poderá submeter a questão ao Tribunal da Europa”. Este trecho é um parágrafo do justificado relatório da Comissão Européia endereçado à Alemanha em 27 de janeiro do ano passado.

Sob o título “Alemanha, o paraíso para a lavagem de dinheiro”, o conhecido jornal alemão Handelsblatt lança violento ataque: “O que são a Suíça e o Liechtenstein para os que praticam a evasão de impostos, a Alemanha é para todos aqueles que lavam dinheiro: um paraíso.”

“A excepcionalmente alta circulação de dinheiro, a liquidez no mercado, o blindado – legalmente – sistema financeiro e a reduzida corrupção criam um âmbito que atrai italianos, russos, libaneses e, seguramente, alemães criminosos, os quais buscam lavar seu dinheiro sujo”.

O dinheiro sujo que se lava na Alemanha, avalia-se, oscila entre US$ 45 bilhões a US$ 47 bilhões anualmente. Já o total da economia “na sombra” (isto é, as atividades que não são sequer minimamente tributadas) supera 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, atingindo meio trilhão de euros anuais. A legalização de arrecadações provenientes de atividades ilegais, principalmente do crime organizado, floresce na Alemanha.

Os dez paraísos

O número de casos que foram considerados suspeitos de lavagem de dinheiro por intermédio dos bancos alemães atingiu cerca de 13 mil. Os dados provêm das autoridades de repressão do próprio Estado alemão.

Mas a verdade é que a verdade não pode ser escondida. A Alemanha lidera o florescimento da lucratividade criminosa, também, fora de suas fronteiras. Sem esquecer que os “milagres econômicos” de Liechtenstein e de Luxemburgo foram apoiados pelos bancos alemães, os quais possuem inúmeras empresas offshore em “paraísos fiscais” pelo mundo.

Aliás, as próprias empresas offshore foram protagonistas no agigantamento do setor financeiro de Luxemburgo, constituindo centenas de esquemas de investimentos e outras empresas no ducado.

Mas existem, também, outros dados. A Alemanha está entre os dez maiores paraísos fiscais e centros de ilegalidade do mundo, segundo investigações da Rede de Justiça Tributária do próprio país. E não é por acaso que o gigantesco superávit comercial da Alemanha entrou na alça de mira da Comissão Européia, a qual instaurou processo contra os desequilíbrios macroeconômicos do país.

É um Eldorado para lavagem de dinheiro sujo. Especificamente, a classificação é liderada pela Suíça, por Luxemburgo e por Hong Kong; em sexto lugar aparecem os EUA; em oitavo, a Alemanha, embora, no que diz respeito ao denominado “indicador de confidencialidade”, a Alemanha ocupe o 59º lugar.

Obviamente, questiona-se até que ponto serão avançadas as providências, considerando que, por enquanto, permanecem em nível apenas de “denunciar” a Alemanha. Indiscutivelmente, contudo, dissimulam as antíteses que evoluem, permanentemente, no imperialista núcleo duro da UE e são toleradas pelos empoados chefes de Estado e de Governo dos países-membros da UE que compõem o grupo dos que “não sabem nada”.