Juíza recebe denúncia contra integrantes do Comando Vermelho envolvidos em lavagem de dinheiro

A juíza Placidina Pires, da 6ª Vara dos Crimes Punidos com Reclusão de Goiânia, recebeu denúncia contra 19 pessoas acusadas de lavagem de dinheiro e organização criminosa, supostamente ligadas ao Comando Vermelho. Segundo os autos, o esquema envolvia trabalhadores autônomos, proprietários de pequenos comércios que recebiam em suas contas-correntes quantias vultuosas, incompatíveis com a renda movimentada e gerada em seus estabelecimentos, que posteriormente voltam, de forma fracionada, para as empresas envolvidas no processo de ocultação/dissimulação de recursos obtidos de forma ilícita pelos integrantes da facção. Na ocasião, a magistrada manteve a prisão de Stephan de Souza Vieira e Pedro Henrique Mendanha Lemes.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), por meio de investigação da Polícia Civil, deflagrada na operação Red Bank, denunciou o grupo, que estava envolvido em esquema de dissimulação da origem ilícita dos valores resultantes do tráfico de drogas, comércio de armas e munições e homicídios de integrantes de grupos rivais.

Consta dos autos que a organização criminosa possuía uma multifacetária rede de movimentação financeira, que se utilizava de contas-correntes de diversas pessoas físicas e empresas de fachada em Goiás e em outros estados, para o processo de lavagem dos recursos auferidos ilicitamente pela facção, cujo líder é André Luiz Oliveira Lima, que já está preso.

Ainda conforme a denúncia, a organização criminosa lavava o dinheiro por intermédio das empresas Euro Multimarca, Confiança Turismo, Leal Negócios E Turismo, Prime Negócios e Serviços Ltda., Vitória Gestão De Negócios e Serviços e Master Business Tour, de propriedade de Álvaro Pereira de Carvalho.

As empresas também eram utilizadas pelo traficante Sthephan De Souza, recapturado ano passado no Rio de Janeiro, Thiago Alves e seu irmão Wellington Barroso, que colocavam dinheiro obtido com as práticas criminosas da organização nas contas-correntes dessas empresas.

Além disso, a sistemática operada pelo grupo revela também a compra de grande quantia em dólares e outras moedas estrangeiras, vulgarmente chamada de operação de “boletagem” de câmbio em nome de terceiros. Os denunciados utilizavam o dinheiro proveniente dos crimes e efetuavam as transações com CPF e RG de desconhecidos, obtidos de forma irregular e a revelia dos respectivos portadores, junto ao imputado José Edivarde De Lima Filho, proprietário de uma copiadora situada no Buena Vista Shopping.

Foram citados, também, André Luiz Oliveira Lima, Webert Amaral Dias, Thiago Alves de Souza, Wellington Barroso Da Silva, Paulo Henrique Mendanha Lemes, Álvaro Pereira De Carvalho, Hudson Dias Vieira Filho, Gustavo Henrique Vaz Guimarães, Keila Mara Barbosa Leal, Onias Mendanha de Araújo Júnior, Fabrício Pereira Tavares, Márcio Antônio Da Silveira, Daiane Silva Pinto Neiva, Romanthi Ezer Isaac Lourenço Alves De Souza, Hollarys Nunes Neiva, Andrelly Araújo Marques, Lázaro Marques Ferreira Júnior e José Edivarde de Lima Filho por suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e porte ilegal de armas de fogo.