Lavagem de dinheiro é líder em investigações contra corrupção

Um levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou que os crimes de lavagem de dinheiro representam quase a metade das investigações contra a corrupção no Brasil. De acordo com o relatório, 46,5% de todos os inquéritos da Polícia Federal (PF) são nessa modalidade de crime.

A pesquisa levou em consideração mais de 3,8 mil inquéritos abertos desde 2003 pela PF. Ainda de acordo com o estudo, a taxa de crimes solucionados ligados à corrupção gira em torno de 95%.

Apesar da alta taxa de elucidação dos inquéritos, ficou destacado que a Polícia Federal leva, em média, 639 dias para concluir uma investigação. O processo leva em consideração a abertura do inquérito e apresentação do relatório. A PF mais lenta é a do Rio de Janeiro, com média de 1.177 dias, enquanto o oposto está no Acre, com 250 dias em média para apresentação do relatório.

Impunidade

O estudo mostra ainda que há muitos processos arquivados sem resolução de mérito e que, em alguns tribunais, a chance de haver impunidade aumenta se o réu for um político.
Em São Paulo, por exemplo, de 1.610 processos estudados no Tribunal de Justiça, houve prescrição em 47 (2,9%). Na Justiça Federal em SP, de 291 processos analisados, houve prescrição em 24 (8,2%).

Para o vice-presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal, Luciano Leiro, são necessárias mudanças na legislação para que após as investigações os acusados não saiam impunes.

“O estudo é claro e mostra o bom trabalho que fazemos. Somos uma polícia de investigação e não de acusação. Precisamos mudar a legislação para que os investigados não protelem tanto. Em muitos dos casos eles usam da flexibilização das leis para saírem impunes”, comenta.