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Abordagem Baseada em Risco será prática compulsória

Em 2012, o Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (GAFI) revisou as suas recomendações para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLD-FT) onde, entre outras inovações, foi incluída a Recomendação 1, referente ao conceito de Abordagem Baseada em Risco (ABR).

A metodologia ABR ou Risk Based Approach (RBA) é uma maneira eficiente de prevenir e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, pois, ao adotarem esse conceito, as instituições financeiras deverão ser mais capazes de assegurar que os controles implementados sejam proporcionais aos riscos identificados, e que tais medidas permitam decisões sobre como alocar os seus recursos de maneira eficaz.

Ao implementarem a ABR, as instituições financeiras deverão desenvolver processos capazes de identificar, avaliar, monitorar, administrar e mitigar os riscos de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo, levando-se em conta que, onde os riscos forem mais altos, sejam adotadas medidas reforçadas para administrar e mitigar tais riscos e que, ao mesmo tempo, onde os riscos forem menores, sejam utilizadas medidas simplificadas. As medidas simplificadas, porém, não deverão ser permitidas se houver riscos iminentes de lavagem de dinheiro ou de financiamento ao terrorismo.

No contexto da avaliação realizada pelo GAFI, a aplicação da ABR não é opcional, mas sim pré-requisito para a efetividade das suas recomendações.

Gradativamente, muitas instituições do mercado financeiro já estão seguindo essa recomendação, mas é certo que o Banco Central do Brasil e as demais autarquias deverão, ao longo do tempo, tornar compulsória a sua implementação, pois os países cooperantes estão sendo pressionados pelo GAFI para assegurarem a adoção e a efetividade dessa prática.

Trata-se, em última análise, de uma metodologia para aferição e tratamento de níveis de riscos nos processos de aceitação, monitoramento, análise e reportes de clientes, destinados às ações de prevenção e combate aos crimes de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo, corrupção e fraudes.

Antecipando-se a essa tendência, o AML Due Diligence passou a exibir o score de risco dos perfis constantes de sua base de dados. Esse mecanismo permite uma classificação numérica calculada com base na soma de scores atribuídos a partir da natureza e recorrência de infrações penais, níveis de repercussão, classificações de riscos para PEPs de acordo com a relevância dos cargos e apontamentos em listas internacionais, entre outros critérios.

Dessa forma, os scores atribuídos aos perfis cadastrados na base de dados do AML Due Diligence são apresentados nos módulos 1, 2 e 3, que tratam, respectivamente, das Listas Restritivas Nacionais, Lista de Pessoas Politicamente Expostas e Listas Restritivas Internacionais. Essa pontuação, que varia atualmente entre 5 e 266, serve como uma referência que permite ao usuário ter maior sensibilidade na avaliação da relevância dos riscos e definir os controles e as demais medidas correspondentes.

O score de risco potencializa ainda mais as funcionalidades do AML Due Diligence, além de proporcionar aos seus usuários a adoção de medidas compatíveis com os níveis de riscos identificados.

 

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Aumenta a procura por profissionais da área de Compliance

Muitas projeções sobre a carreira do futuro apontam para funções relacionadas à tecnologia. A informática é uma das ciências mais proeminentes e o computador está substituindo vários processos, tanto na indústria, quanto no setor de serviços. Mas há ocupações que demandam o olhar atento e crítico do ser humano para a sua adequada execução. Uma destas atividades é a do profissional que trabalha no setor de Compliance.

A demanda por especialistas nesta área aumentou também em função dos recentes escândalos de corrupção envolvendo empresas e governo. A legislação no Brasil está mudando e o ambiente regulatório está muito mais restrito. Além disso, o cenário internacional de negócios está exigindo mais controle e transparência e as empresas precisam do apoio de especialistas para ajudar nesta reorientação e enfrentar as transformações.

O profissional que trabalha na área de Compliance avalia os processos da empresa, que devem estar em conformidade com a legislação, a regulamentação, as melhores práticas de mercado e os objetivos da instituição. É esta equipe que vai definir e auxiliar na implantação dos controles internos para a prevenção de fraudes e do crime de lavagem de dinheiro, por exemplo. “O especialista em Compliance deve conhecer profundamente a legislação e a regulamentação para poder conduzir a empresa no cumprimento das determinações”, explica Alexandre Botelho, sócio diretor da AML Consulting e especialista em Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Fraudes.

É a área de Compliance que garante o cumprimento de acordos internacionais, leis e regulamentos do setor. Como ainda não existe um curso superior nesta área, em geral o profissional de Compliance é alguém que domina o setor de atuação da instituição e que se especializou para atuar na função. Porém, já existem alguns cursos de pós-graduação e MBA para o profissional que quiser se especializar.

O setor é multidisciplinar. Além de entender sobre o seu ramo de atividade, o profissional necessita conhecer também assuntos diversos como legislação, finanças, contabilidade, direito, recursos humanos e até mesmo ter noções sobre saúde e meio ambiente. Todos estes temas podem permear o trabalho do profissional de Compliance, seja no relacionamento da instituição com seus clientes, funcionários, prestadores de serviços, parceiros de negócios e fornecedores, até mesmo com a comunidade em geral. Por isso, outra atividade inerente ao profissional de Compliance é a organização de treinamentos e cursos.

A rotina de trabalho de quem atua na área de Compliance exige, além do conhecimento técnico, uma grande habilidade de relacionamento interpessoal. Para cumprir a sua missão, o gestor da área de Compliance deve ter autonomia para a tomada de decisões, além de acesso irrestrito aos mais elevados níveis de gestão. Contudo, isso implica em conviver em um ambiente de constantes cobranças e pressões, além de administrar situações de desconfiança e dúvidas.

Alguns especialistas apontam que a principal habilidade para o profissional da área de Compliance é a resiliência. “A área de Compliance normalmente encontra muita resistência, pois suas atividades geram impactos diretos nos negócios, ou seja, nos resultados da instituição”, explica Botelho. Além disso, os colaboradores acabam percebendo que estão sendo monitorados e até mesmo os membros da alta administração podem sentir-se sobrepostos em suas decisões. Paciência e persistência são outras habilidades fundamentais para o profissional deste setor.

Confira outras habilidades que o profissional de Compliance deve ter:

• Conhecer profundamente o mercado de atuação da instituição, a estrutura organizacional, as peculiaridades dos produtos e serviços ofertados e o perfil dos clientes;

• Visão estratégica de negócios, ou seja, capacidade de definir os controles a serem implementados em conformidade com os níveis de riscos identificados;

• Capacidade de antever e mitigar erros, além de atuar prontamente na solução de incorreções;

• Saber como conduzir a análise de falhas nos procedimentos, propondo não apenas a correção dos erros, como também a revisão de processos inadequados;

• Ser objetivo para manter uma visão independente;

• Ser um bom ouvinte e observador para entender como realmente ocorrem os procedimentos incorretos;

• Ser criativo e inovador em suas propostas;

• Capacidade analítica para entender os fatos e propor soluções para as distorções;

• Ser claro e objetivo na fala e na escrita;

• Manter-se sempre atualizado sobre as leis e as alterações regulatórias;

• Ter um comportamento ético, profissional, independente e exemplar;

• Ser discreto e manter a confidencialidade dos trabalhos desenvolvidos.

Se é nas épocas de crise que aparecem as melhores oportunidades, trabalhar na área de Compliance enquadra-se muito bem nesta afirmação. Além disso, a atual crise política e os recorrentes esquemas de corrupção ajudaram a dar destaque ao trabalho do profissional de Compliance.

Ou seja, é uma boa hora para aproveitar o aumento desta demanda.