PF indicia ex-diretor de Recursos Humanos do Senado por três crimes

A Polícia Federal indiciou na manhã desta segunda-feira o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi. Ele foi formalmente responsabilizado pelos crimes de concussão (extorsão praticada por funcionário público), inserção de dados falsos em sistemas de informação e formação de quadrilha.

A PF indiciou Zoghbi pela participação no mercado de empréstimo consignado a servidores do Senado, que nos últimos três anos movimentou R$ 1,2 bilhão. A Polícia Federal também investiga a edição dos atos secretos. Os dois inquéritos estão sob o comando do delegado Gustavo Buquer.

Como ex-diretor de Recursos Humanos, Zoghbi é acusado de autorizar empréstimos acima das margem permitida –30% do salário de cada servidor– para beneficiar as empresas do filho, Marcelo, que era o responsável por intermediar essas negociações.

As empresas, contudo, estão registradas em nome de uma laranja, ex-babá de Zoghbi. A parceria da Contact, da DMZ Consultoria Empresarial e da DMZ Corretora de Seguros com o Senado teria resultado em um faturamento de R$ 3 milhões.

Zoghbi é o primeiro a ser indiciado entre os personagens envolvidos na crise por que passa o Senado. Segundo a Folha apurou, outras cinco pessoas devem ser indiciadas no inquérito que apura o mercado de crédito consignado na Casa.

O delegado Gustavo Buquer esperar concluir a investigação até o final deste mês. Depois de concluído, o inquérito segue para o Ministério Público Federal, que pedirá à Justiça a abertura de uma ação contra os indiciados.

O advogado de Zoghbi, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que não havia no Congresso um limite estipulado para o empréstimo. "Tecnicamente, não há nada de errado no que ele fazia. Ao contrário do Executivo, não havia esse limite no Legislativo", disse.

Segundo o advogado, que disse ser fácil reverter o indiciamento na Justiça, não há qualquer ligação de Zoghbi com os bancos que concediam empréstimos.

Em abril, o ex-diretor do Senado tinha sido indiciado pela Polícia Legislativa –que também apurou o esquema de crédito consignado– pelos crimes de formação de quadrilha e falsidade ideológica.