Secretário diz que há indício de lavagem de dinheiro em fretados

O secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, disse ontem que há indícios de lavagem de dinheiro na operação de ônibus fretados em São Paulo.

Ele foi entrevistado ontem no programa "Roda Viva", da TV Cultura.

O secretário defendeu as medidas de restrição aos ônibus fretados, em vigor desde a semana passada, e criticou o serviço, que, segundo ele, era usado como um "táxi grande". Para Moraes, esse tipo de ônibus é clandestino, pois não é contratado por empresas.

Moraes afirmou que a prefeitura não é contra o sistema de fretamento, mas afirmou que é preciso ter regras. Foi neste contexto que ele disse, sem apresentar provas ou entrar em detalhes, que "há indícios, nessa clandestinidade, de lavagem de dinheiro".

Questionado após o programa, Moraes confirmou não ter provas. Disse apenas que prefeitura e polícia estão atentas ao assunto e que vão investigar.

O secretário também confirmou que a prefeitura está liberando autorizações a fretados que não se enquadram nas regras estabelecidas.

De acordo com a portaria, só seria autorizado o tráfego pelos 70 km2 de restrição de ônibus que fizessem parada apenas em estacionamentos reservados.

Porém, Moraes disse que empresas com contratos para o transporte de funcionários podem circular livremente, com autorização da prefeitura, mesmo que não tenham os tais estacionamentos.

Ele citou o caso do hospital Albert Einstein, que fica fora da área de restrição, mas tem cerca de 400 funcionários com residência no trecho restrito. Segundo o secretário, os ônibus que prestam serviço ao hospital foram liberados.

Monotrilho

O secretário confirmou que a prefeitura deve lançar um projeto de monotrilho na zona sul de São Paulo, ligando o Jardim Angela a dois ramais até Santo Amaro e Grajaú.

A Folha anunciou o projeto há um mês. Na ocasião, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu os estudos, mas não confirmou se já estava decidida a implantação do projeto (ainda sob análise dos custos).

Moraes também confirmou que está em fase final de estudos, para implantação rápida, uma nova faixa exclusiva para motos, chegando até o centro, no corredor das avenidas Vergueiro e Liberdade. O objetivo, segundo ele, é permitir que motos desviem da avenidas 23 de Maio, onde há acidentes.

O secretário dos Transportes disse que a única forma de fiscalizar o serviço de mototáxis, caso seja aprovado pela Câmara Municipal, será com a implantação de chips nas motos.

Moraes disse que, no ano que vem, pode ser estabelecido algum tipo de restrição a carros, mas não detalhou. Ele descartou o pedágio urbano e afirmou que os últimos estudos apontam que a ampliação do rodízio não causaria grande impacto.