MP cobra de Maluf devolução de mais de R$ 300 milhões

Dinheiro desviado da construção de avenidas e túneis foi para bem longe. Deu a volta ao mundo até regressar para o bolso do ex-prefeito Paulo Maluf. É a conclusão do Ministério Publico – depois de examinar 270 mil documentos bancários internacionais.

Eucatex é a empresa da família Maluf no Brasil. O rastreamento revela: fortuna superior a US$ 160 milhões passou por quatro países. Fez escala na Ilha de Jersey até voltar ao Brasil como se fosse investimento estrangeiro na Eucatex.



Mas documentos da investigação mostram que as tais empresas internacionais eram controladas pelos filhos de Paulo Maluf e que tudo não passou de uma operação de lavagem de dinheiro. Entre os papéis, há uma ordem de transferência autorizada por Flavio Maluf e uma ficha de abertura de conta no exterior assinada pelo ex-prefeito de São Paulo.



Agora, o Ministério Público quer que a família Maluf devolva todo o dinheiro desviado e investido na Eucatex. Além da própria empresa, a promotoria está processando Paulo Maluf, a mulher dele, os quatro filhos e uma ex-nora. O valor da causa em moeda nacional: R$ 311 milhões.



Paulo Maluf também é investigado fora do Brasil. Ele não pode pisar nos Estados Unidos porque, segundo a promotoria, teve a prisão decretada por lavagem de dinheiro. Além disso, US$ 31,5 milhões estão bloqueados na França, na Suíça, em Luxemburgo e na Ilha de Jersey. Dinheiro depositado em contas ilegais que seriam da família Maluf.



“Todos esses países estão colaborando efetivamente com o Ministério Público Estadual e Federal, com as autoridades do Ministério da Justiça do Brasil. Portanto existe uma grande possibilidade que esse dinheiro seja devolvido tão logo transitem as sentenças dessas ações que propusemos no Brasil e que a prefeitura propôs no exterior”, afirma o promotor Silvio Marques.



Paulo Maluf informou, via assessoria de imprensa, que não tem e nunca teve conta no exterior. Ainda segunda a assessoria, a operação de aumento de capital da Eucatex foi feita há 12 anos e aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários. Seria, portanto, legal e juridicamente perfeita.