Fraude em importações pode ter 60 envolvidos

A Polícia Federal suspeita que possa chegar a 60 o número de envolvidos com a organização criminosa que promovia contrabando por meio de importações fraudulentas. A informação é do delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, que coordena a Operação Ártico – força-tarefa que na última quarta-feira prendeu 25 investigados e cumpriu 56 mandados de buscas em 4 Estados (São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo e Rondônia).



Segundo Rodrigues Alves, "pelo menos" dez servidores públicos estão entre os alvos da apuração. Quatro auditores da Receita já foram capturados, dois de São Paulo, dois de Rondônia. A PF informou que os auditores habilitavam empresas de fachada no Sistema de Controle do Comércio Exterior (Siscomex) e facilitavam a passagem de mercadorias no Porto de Santos. O delegado está convencido de que servidores corrompidos deram sustentação à trama que levou à sonegação estimada em R$ 100 milhões.



Ontem, a advogados de defesa dos principais alvos da Operação Ártico protestaram contra a decisão da PF de remover os prisioneiros para a Delegacia de Jales, no interior de São Paulo. Eles alegam que a transferência dos investigados teria ocorrido sem comunicação à Justiça Federal.



"É algo muito grave", declarou o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira. "Pior é que não sabemos os reais motivos da prisão, o que diz a acusação formal. Ainda outro dia comentei com um ministro do Supremo Tribunal Federal que era menos difícil advogar na ditadura. Naquela época a defesa tinha vista dos autos na Justiça Militar. Hoje não se sabe o que acontece, o advogado não consegue explicar para os filhos do preso porque ele foi detido. É uma indignidade."



Mariz de Oliveira defende um grande empresário do setor de importação, capturado em São Paulo, onde reside, por suspeita de envolvimento com a organização. A PF sustenta que o empresário fazia parte de uma célula composta por proprietários de tradings que alugariam empresas de fachada em nome de laranjas para importar mercadorias ocultando as operações do Fisco.



Os alvos da Operação Ártico estão detidos em regime temporário, por cinco dias, prazo que termina domingo. A PF poderá requerer a prorrogação da medida, ou mesmo conversão em prisão preventiva, até a conclusão da investigação. No Estado de São Paulo foram detidos 11 investigados e todos foram levados para Jales.



A PF informou que a investigação se concentra nessa região porque em Jales foi identificado um empresário que teria enriquecido por meio de superfaturamento de merenda escolar.



O advogado Mariz de Oliveira requereu, no fim da tarde, a remoção de seu cliente para a Capital. O pedido foi protocolado na 2ª Vara Criminal Federal, especializada em ações sobre crimes financeiros e lavagem de dinheiro, de onde foram expedidos os decretos de prisão e autorizações para buscas em escritórios e residências.



"Causa estupefação a ida dos presos para Jales, uma vez que se trata de processo distribuído para a 2ª Vara Federal da Capital", protestou o advogado, que pediu, ainda, a "imediata ordem de soltura" do empresário.