Fazenda Cedro, de Dantas, é invadida

Um grupo de agricultores sem-terra realizou ontem mais uma invasão em propriedades da Agropecuária Santa Bárbara, ligada ao banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, no Pará. Cerca de 60 pessoas ocuparam uma nova área da fazenda Cedro, em Marabá, uma das maiores do grupo.



Desde o ano passado, pelo menos 13 das 43 fazendas ligadas ao empresário foram alvo de ocupação por parte de grupos sem-terra. Para Ministério Público e Polícia Federal, as fazendas e os negócios com gado foram usados nos últimos anos por Dantas para um esquema de lavagem de dinheiro.



A fazenda invadida ontem, a Cedro, onde são criados quase 20 mil bois e que foi alvo do sequestro de bens da Justiça Federal dentro da Operação Satiagraha, já havia sido ocupada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), que mantém um acampamento na entrada da área, às margens da rodovia PA-150.



A agropecuária informou que a nova invasão ocorreu ontem pela manhã. O grupo foi liderado por Adilson Barbosa de Oliveira, conhecido como "Blindado", diretor da Associação de Pequenos Agricultores Rurais de Marabá (Asparmab)



O mesmo grupo já havia tomado no dia 15 três retiros da fazenda Cedro. Na ocasião, o líder do movimento afirmou que o grupo defendia a utilização da propriedade para fins de reforma agrária, por considerar a área pública. É que boa parte das fazendas onde a Santa Bárbara cria gado era terra do Estado cedida aos antigos "proprietários" para o cultivo de castanha, por meio de contratos de aforamento.



A Agropecuária Santa Bárbara informou que ontem mesmo acionou a Delegacia Especial de Crimes Agrários (Deca), de Marabá, e encaminhou ofício à Secretária de Segurança Pública do Pará.



Das 13 fazendas ligadas a Dantas ocupadas atualmente pelos sem-terra, em pelo menos 5 casos a Agropecuária Santa Bárbara já conseguiu na Justiça a reintegração de posse, mas os pedidos ainda não foram cumpridos.



TENSÃO



A Agropecuária Santa Bárbara informou que os sem-terra estão ameaçando invadir as sedes das fazendas e que funcionários das propriedades estão apreensivos com a possibilidade de conflitos. Segundo a empresa, o risco existiria nas fazendas Cedro e Espírito Santo.



"As propriedades-alvo contam com dezenas de funcionários e familiares e caso a invasão se confirme há risco às pessoas", informou a Santa Bárbara, por nota.



Em abril deste ano, na fazenda Espírito Santo, integrantes do MST foram baleados num conflito com os seguranças da agropecuária por conta da ameaça de invasão da sede da propriedade.



O MST nega que exista a promessa de invasão das sedes das fazendas e ainda acusa os seguranças da Agropecuária Santa Bárbara de agirem com truculência contra os acampados.