“Tenho provas de que dinheiro da BrT bancou a Satiagraha”, diz Daniel Dantas

O banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, condenado por corrupção e acusado de crimes financeiros investigados na Operação Satiagraha, afirmou, em entrevista à Folha, ter provas de que a empresa de telefonia Brasil Telecom subornou congressistas da base aliada do governo para que ele fosse relacionado no relatório da CPI dos Correios, em 2005, e de que a empresa financiou a Satiagraha.

"Tenho informações e provas de que tem dinheiro da Brasil Telecom alimentando a Operação Satiagraha. Tenho também informações de que a Brasil Telecom andou pagando congressistas para me incluir no relatório da CPI [dos Correios], pedindo meu indiciamento pelo financiamento do mensalão", disse Dantas à Folha, que afirmou ainda apresentar as provas em "momento adequado". 

Recusando-se a citar nome de congressistas que teriam recebido dinheiro da empresa de telefonia, Dantas disse que recebeu informações de que um homem de confiança de Luiz Gushiken (então no comando da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) trabalhava no Banco do Brasil e fazia caixa de campanha, mas "que na verdade grampeava telefones".

Dantas montou o CVC Opportunity com recursos do Citigroup e atraiu fundos de pensão e a Telecom Italia. No leilão da Telebrás, comprou a Tele Centro Sul (Brasil Telecom), mas entrou em choque com os sócios.

Em 2005, o Citigroup afastou o Opportunity da gestão do CVC Opportunity (que controlava BrT, Telemig Celular, Amazônia Celular e o Metrô do Rio), e Dantas perdeu o controle das empresas.

Ele também foi indiciado em inquérito da Polícia Federal sobre a espionagem contra a Telecom Italia. As investigações levaram à Operação Satiagraha, em 2008. Dantas chegou a ser preso duas vezes e foi condenado a dez anos de prisão, em primeira instância, acusado de corromper um delegado da PF, o que ele nega.