Justiça de São Paulo transforma Dantas novamente em réu

São Paulo – Por decisão da Justiça Federal em São Paulo, o banqueiro Daniel Dantas, sua irmã, Verônica Dantas, o presidente do banco Opportunity, Dório Ferman, e mais 11 pessoas ligadas ao grupo viraram réus em novo processo criminal decorrente da Operação Satiagraha. A denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) foi aceita pela Justiça na última quinta-feira (16). A informação foi confirmada pelo Ministério Público.

Nessa denúncia, o procurador Rodrigo de Grandis detalhou sete fatos criminosos praticados nos últimos dez anos pelo banqueiro e pelas demais 13 pessoas. De Grandis apontou os crimes de formação de quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta (com desvio de recursos da Brasil Telecom para o Opportunity, além de repasse de recursos da Brasil Telecom para as empresas de publicidade de Marcos Valério); três fatos relacionados a lavagem de dinheiro; gestão temerária (com o banco Opportunity desrespeitando regras do Banco Central); e evasão de divisas (permitindo que cotistas brasileiros investissem no Opportunity Fund, mantendo recursos no exterior de forma ilegal).

Uma das suspeitas do Ministério Público é de que o grupo Opportunity, quando estava no comando da Brasil Telecom, teria abastecido o chamado “valerioduto”, como ficou popularmente conhecido o suposto esquema comandado pelo publicitário Marcos Valério, que repassaria dinheiro para parlamentares votarem a favor de projetos de interesse do governo federal. Marcos Valério é um dos réus do processo do mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Dantas foi denunciado na 6ª Vara Federal Criminal pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de formação de quadrilha e organização criminosa.

Também viraram réus no processo: Danielle Silbergleid Ninnio, que trabalha na área jurídica do banco; Norberto Aguiar Tomaz, Eduardo Penido Monteiro e Itamar Benigno Filho, diretores do Opportunity; Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresa ligada ao banco; Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, conselheira de diversas empresas do grupo; Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom; Carla Cicco, ex-presidente da Brasil Telecom; Guilherme Henrique Sodré Martins e Roberto Figueiredo do Amaral, lobistas; e William Yu, consultor financeiro.

Segundo o Ministério Público Federal, o juiz também aceitou a abertura de mais três inquéritos da Satiagraha: um para aprofundar a participação de pessoas que foram investigadas inicialmente, mas não foram denunciadas, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh e Carlos Rodenburg, que comanda o braço agropecuário do grupo Opportunity. O segundo inquérito seria para apurar crimes financeiros na aquisição do controle acionário da Brasil Telecom (BrT) pela Oi e o terceiro, para investigar evasão de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman, no Caribe.

No primeiro inquérito resultante da Satiagraha, Dantas já havia sido condenado pelo juiz Fausto De Sanctis a dez anos de prisão por corrupção ativa, pela tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal para ter seu nome excluído das investigações da Operação Satiagraha. Também foram condenados o consultor Hugo Chicaroni e Humberto Braz. As primeiras investigações policiais da Satiagraha foram conduzidas pelo delegado Protógenes Queiroz, sendo depois assumidas pelo delegado Ricardo Saadi.

Por meio de nota, o advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas e o Opportunity, informou que os seus clientes “ainda não foram citados do recebimento da denúncia” e que, independentemente disso, negam “veementemente as imputações recebidas pelo juízo”. Segundo ele, os fatos narrados “são falsos” ou “não constituem crime” e estariam baseados em provas fraudadas da Operação Satiagraha.

Edição: Lana Cristina