Defesa de acusados na Castelo de Areia pede acesso a dados da Operação Downtown

Os advogados dos acusados na Operação Castelo de Areia pediram, na defesa prévia apresentada à Justiça, acesso irrestrito a dados da Operação Downtown, realizada pela Polícia Federal em agosto do ano passado.

Segundo a defesa, a acusação feita pelo Ministério Público Federal no caso Castelo de Areia faz menção a informações relativas à Downtown.

No texto da defesa, os advogados transcrevem um dos trechos da acusação, que menciona a operação: "No âmbito da Operação Downtown, cuja investigação se processa perante a 2ª Vara Criminal Federal, e a partir do compartilhamento de informações entre os dois Juízos, conforme acima referido, apurou-se que a CCCC [Construções e Comércio Camargo Corrêa] já vinha adotando a prática de utilizar-se de serviços de câmbio ilegal para remeter divisas para fora do país".

Para a defesa, a menção à operação significa que informações relativas a outra investigação, que não a Castelo de Areia, teriam sido utilizadas como elementos para a acusação, o que daria direito à defesa de conhecer o conteúdo da investigação.

"(…) Tendo ciência de que parte das informações que instruem autos diversos foi carreada aos autos, é evidente que nasce para os defendentes o interesse em conhecer a integralidade daquele feito, para dele se inteirar e averiguar se residem lá outros elementos de interesse para a presente ação penal, especialmente sob a ótica da defesa", diz o texto da defesa.

Downtown

A Operação Downtown, realizada pela Polícia Federal, investigou supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro e resultou na prisão de 15 pessoas.

Segundo informações da Polícia Federal à época da operação, haveria indícios da ligação dos doleiros presos com membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), traficantes de drogas, trabalhadores informais estrangeiros e empresas privadas.

Entre os crimes que teriam sido cometidos pelos acusados estariam evasão de divisas, operação de instituições financeiras sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.