PF rastreia R$ 700 milhões de Daniel Dantas

O relatório final do Inquérito 235/08 – Operação Satiagraha – revela que a Polícia Federal rastreia, agora, uma fortuna de R$ 700 milhões que o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, investiu na agropecuária. Gráfico apreendido na sede do grupo indica que Dantas foi diretamente responsável pelo aporte de mais de 20% do valor.

Segundo o relatório de 325 páginas divididas em 11 capítulos, subscrito pelo delegado Ricardo Andrade Saadi, que indiciou Dantas, os dados levantados pela investigação "comprovam que uma das formas utilizadas pela organização criminosa para realizar lavagem de recursos oriundos de atividades ilícitas é a realização de investimentos em negócios da atividade agropecuária". Os negócios de Dantas estariam pulverizados em um complexo de 43 fazendas administradas pela Agropecuária Santa Bárbara Xinguara.

A investigação sobre suposta ocultação de valores por meio da compra e venda de gado será conduzida pela Superintendência da PF no Pará, Estado onde se concentra a maior parte das terras de Dantas.

"Os fatos apurados apontam para a existência de uma organização criminosa", assinala o relatório. "A organização praticou diversos crimes, tais como gestão fraudulenta de instituição financeira, empréstimo vedado, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha. A organização utilizou diversas empresas no Brasil e no exterior, principalmente do tipo offshore, constituídas em paraísos fiscais, muitas delas empresas de fachada. Tais empresas foram utilizadas para a realização de diversas operações, celebração de contratos de mútuo e emissão de notas fiscais referentes a serviços não realizados, os quais tinham como objetivo ocultar a origem criminosa dos recursos." O relatório destaca que o grupo é formado por empresas financeiras e não financeiras, no Brasil e no exterior.

Diversos indícios de lavagem são apontados, entre os quais o pagamento das despesas das fazendas feito de duas formas, uma parte "por dentro", contabilizada, e outra sem a emissão de nota fiscal; a compra de diversos bens com indicativo de que foram colocados em nome de terceiros e a identificação de pessoas que negociavam direta ou indiretamente com as fazendas do grupo e que foram objeto de comunicação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF por suposto envolvimento com operações suspeitas.

O relatório afirma que "o líder da organização criminosa é Daniel Dantas, cabendo a ele definir estratégias macros, bem como dar a palavra final nos assuntos importantes". Dantas foi indiciado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta de instituição financeira, sonegação fiscal e formação de quadrilha.